Segunda-feira, Março 12, 2012

Dói-me a alma
... por todas as palavras que não disse
... por todas as palavras libertadas ao vento.

... por todos os momentos vividos
... por todos os momentos desperdiçados.

Dói-me o corpo
... das cicatrizes do tempo
... do que ainda falta gravar a ferro e fogo.

... das saudades que não digo
... dos amores que vivi.

Sábado, Março 03, 2012

São dias atrás de dias. Que viram semanas e meses. Passam céleres, demorados. Quando se quer que demorem voam; quando se quer que passem a correr, fazem-nos passar horas a olhar para um relógio.

Diria que tem vida própria, o tempo. Faz de nós o que quer. Um dia acordamos e temos a cabeça cheia de cabelos brancos e recordações difusas. As boas, essas, foram encaixotadas e arrumadas num sótão onde se procura não entrar, correndo o risco de partir de novo o coração e ver os dias arrastarem-se por mais um século. As más, as recordações, cravam rugas e marcas num rosto amargo. Ficam e alimentam a sede de atravessar mais um dia, uma semana, um mês. O rancor nasce, o sorriso fica mais difícil.

Um dia, num belo pôr-do-sol, contemplamos a nossa existência e não conseguimos recordar os motivos pelos quais sorrimos e responsáveis pelas linhas de expressão marcadas no rosto. Nesse dia, o somar de tanto tempo e experiência percebemos. Não sabemos bem o quê, mas percebemos, finalmente. E suspiramos, respiramos bem fundo e fechamos os olhos.
As expressões endurecidas pelas memórias aliviam. E chega a leveza.
Já se passaram alguns anos. E a história não muda.
Uma espécie de vira o disco e toca o mesmo. Ainda que as paisagens e as personagens alternem, variem consoante a estação. Padrões atrás de padrões, e por aqui, sem se saber como mudá-los.

Anos e anos a tentar ser uma personagem das várias histórias que compõem esta vida. Notas e rabiscos nas margens das histórias de outras vidas. Muitas vezes um segredo, apenas uma lembrança "Estive por aqui, não me esqueças."

E o tempo passa. E as pessoas são cada vez mais difíceis. Quem muda? Porquê mudar?

Quarta-feira, Outubro 12, 2011

Desabafo de pouca monta, ou As voltas que esta cabeça dá:

"Harry e Sally" (a propósito do blog d'O Arrumadinho - que recentemente tirou o banner com estas duas personagens e eu estava a tentar perceber porquê)... que nomes giros, quase parece que fizeram de propósito. Mais um bocadinho e as letras eram todas a seguir umas às outras. Ora vejamos: 1 H, 1 A, 2 R's, 1 Y; 1 S, 1 A, 2 L's, 1 Y. Mas o L não vem a seguir ao H (mentalmente revejo: F, G, H, I, J, L), pois não... tem ali umas letras no meio. Mas o S vem a seguir ao R (R, S, T, e já agora, U, V, X, Y - não, o Y não consta do alfabeto português).

Mentalmente vejo uma mensagem escrita na linguagem de adolescente: "O K?"

Vai lá ao google e procura o alfabeto português. (Afinal parece que tem e eu já aprendi qualquer coisa com esta parvoíce toda...)

Contra-argumento: Mas o alfabeto português não tem o Ç. Ah pois é, e agora? Porque carga de água é que usamos o Ç que não vem no alfabeto. Até é uma letra gira.. Parece que alguém escreveu qualquer coisa que era com S, e para disfarçar fez ali um rabinho no C. Cedilha, é uma palavra gira... Mas o que é que quer dizer cedilha?

E eu, que estava quase a dormir no processo deste raciocínio altamente demorado, pergunto: Mas o que raio é que quer dizer cedilha?!

Sexta-feira, Agosto 19, 2011

Esta é uma história que já foi contada. Vezes sem conta.
Eles conhecem-se. Ficam amigos. Um dia, ele decide que quer mais qualquer coisa. Ela resiste à tentação, o mais que pode. Mas a carne é fraca, e tem o coração sedento de palavras doces.

Um dia, ela cede. E tudo pode acontecer.

Mas não acontece.
E ela fica, de novo, sedenta.
E ele, de novo, é um amigo.

E tudo acontece.
As palavras doces enchem ambos os corações.
O conto de fadas vira história de verdade.
E o pôr-do-sol é o fim da história.
Não há tristezas, tudo é rosas, tudo é amor.

A incerteza de te querer assalta-me.
É certo o futuro, inseguro o passado.
O presente foi ontem, e a saudade instala-se.

O sentimento repete-se.
Descanso, embalada pelo teu canto,
Repouso no regaço de uma mãe distante.
Espero pela luta que se avizinha,
Anseio pelos espólios da guerra.



Segunda-feira, Julho 25, 2011

Era uma vez

Era uma vez um sonho,
Que se desfez como poeira.
Era uma vez uma princesa,
Que deixou passar o cavalo branco.
Era uma vez uma tempestade,
Que não chegou a terra.
Era uma vez um amor,
Que se desvaneceu como um nascer do sol.

Era uma vez uma esperança
Que renasceu das sombras.
Era uma vez um princípe,
Que não se cansou de procurar.
Era uma vez um dia de sol,
Que se repetiu para todo o sempre.
Era uma vez um amor,
Que trouxe a lua e as estrelas.

Sábado, Julho 02, 2011

Suspiro

E por mais que escreva as cores do mundo, dói-me a alma.
E por mais que se embeleze a dor, cai poeira na voz.
E por mais que se tente...

Este é o mais um começo de história.
Um início que se perderá antes de terminar.
De novo, e de novo...

Não há arco-íris,
Não há fadas, nem princesas
Querubins ou duendes.
Por mais que as cores magoem os olhos,
Por mais que os sons encantem a alma,
É uma história que não acabará.

O último suspiro...
O último desabrochar...
O último sol, a última lua...
Não virão.

Tudo ficará como está,
Instável,
Doente,
Moribundo.
E o fim... Não virá.

Quarta-feira, Dezembro 29, 2010

Poesia

De uma nuvem
Diáfana,
Ligeira,
Brilhante,
Poiso nesta realidade
Nua,
Crua,
Agreste.
Minha mão
Poisa em teus olhos
Para se demorar.
Minha boca
Saboreia o teu sorriso
Para acalmar.

Minha poesia é estar assim
neste amor por ti.

Mãos suadas,
Cabelos enredados,
Teias de seda
Tecidas por vontades.

Olhos baços,
Beijos quentes,
A vida é vivida
Nestes instantes.